sábado, 19 de agosto de 2017

Passeio a Corno do Bico



Qualquer vinda a Paredes de Coura torna-se uma bela desculpa para conhecer novas estradas para pedalar, ou simplesmente para variar de paisagem já que a Velo Culture me deixa quase sempre "preso" às imediações do Porto.



Para ajudar à festa, tenho bicicleta nova, a Pelago Stavanger e durante a rodagem estou a comprovar (a tentar) a sua imensa versatilidade. Para começar, sem grandes alterações, retirei os para-lamas e montei uns pneus de estrada 700x28c, a roçar o limite inferior relativamente ao leque de pneus que estes aros comportam.
A ideia é posteriormente montar outros 'sapatos' para outro tipo de aventuras.



Paredes de Coura e as imediações têm muitos pontos interessantes por onde pedalar, mas estava com grande vontade de fazer a subida ao Corno do Bico, isto mesmo sabendo que nos 3 ou 4kms finais o piso é de gravilha ou terra bem batida - nada que não tenha já feito com este tipo de pneus.


Como não conheço assim tão bem as estradas circundantes, tratei de na véspera pedir a ajuda ao Strava para melhor delinear um percurso até lá. A opção "estradas mais populares" soou-me bem :)

No dia, o despertador "bebé João" tocou, e lá fui eu. Tinha acabado de fazer 2 km, meti a mão por baixo do selim: "hmmm pois, esqueci-me no Porto das ferramentas e câmara de ar suplente, mas bom... quando foi a última vez que furei?"
Na verdade já nem me recordo, mas fico sempre apreensivo na perspectiva de ficar apeado longe de casa por causa de um furo. A paisagem por estas paragens rapidamente tratam do assunto e não penso mais no assunto.



O Minho é muito bonito. É verde, é humanizado sem ser desiquilibrado, tem subidas e descidas quanto bastem... próximo do perfeito para pedalar.


Tudo corria muito bem, estradas bonitas e com bom piso, nem muito largas nem muito estreitas, curvas aqui e ali a pontuar a paisagem até que...

" O GPS deve estar errado, não há nenhuma estrada aqui por onde virar"


Pois, o Strava delineou um trajecto popular na zona, posso depreender que esta seja uma zona com muitos praticantes de BTT.

"Bom, isto deve ser só um troço pequeno de atalho, nem que faça a pé chegamos a outra estrada num instante"


E assim meti por um caminho de cabras. A Stavanger é feita para estas aventuras, mas por azar tinha montado uns 'sapatos' fininhos nada condizentes com o que estava a começar a fazer.



A lei de Murphy é tramada, e de curva para curva a achar que o caminho acabava "já ali" acabei por fazer uns bons kms de trilhos de montanha, que tinham tanto de bonitos como de complicados.




Por fim cheguei ao Corno do Bico, e com a luz da manhã não consegui deixar de tirar umas fotografias no meio do bosque à minha nova menina.





Pão com marmelada comido, toca a regressar "Agora vou pelo caminho fácil" pensei eu.

ahahah

Estradas de terra (mais ou menos) batida, a descer, não são também propriamente um "passeio no parque" quando se anda com pneus de bailarina. Bom, com um ou outro pequenos sustos, lá se fez a descida e o restante caminho em asfalto passou literalmente a correr.



Vou voltar a fazer esta aventura, mas desta vez bem calçado ;)

domingo, 13 de agosto de 2017

Leituras de férias - The cyclist's bucket list



Estas férias levei por companheiro este livro, o "Cyclist's bucket list". O nome, no fundo diz tudo, trata-se de uma listagem de percursos ou 'situações' que um ciclista 'tem' de fazer :)



Do ponto de vista realista que nos confronta com a impossibilidade de fazer tudo aquilo, ficam as fotografias e descrições que nos transportam para lá. Uma boa leitura para estes dias de férias, especialmente para quem gosta de ler sobre viagens de bicicleta.

"The cyclist's bucket list - A celebration of 75 quintessential cycling experiences" - Ian Dille

sábado, 5 de agosto de 2017

Crónicas dos treininhos - começar a meio?

Pois bem, já é domingo outra vez e a comichão na ponta dos pedais atinge níveis insuportáveis. Como resolver isso?


A pedalar.

Então que se passou desta vez? Encontro marcado às 7 no Freixo, mas escaldado que estou com os percursos planeados pelo Mr Teixeira, fiz um truque: saí mais cedo, estacionei na foz do Rio Sousa, e pedalei até ao encontro dos convivas. Não eram muitos, mas eram bons: o João Carvalho e o Sr. Teixeira. O João tem uma Pelago. A Sibbo.

Sem perceber bem como, foi talvez o primeiro treininho do *PBEC. Mais falaremos sobre isso no futuro.

O dia amanheceu chuvoso, ou próximo disso. E que fiz eu quanto a isso? Nada! A temperatura estava boa e a água faz bem aos poros. Furgoneta estacionada, toca a pedalar na Titan.


Asfalto molhado, chuvas recentes - convém mesmo ir com cuidado nas curvas, o óleo vem sempre ao de cima, mas em contrapartida a paisagem e a luz de um dia meio enublado são sempre bonitas de se ver.




O percurso tinha "para variar" subidas, tendo sido decidido rumar até à barragem, depois fazer a subida do percurso em direcção salto, mas a dada altura e num gancho de avantajada inclinação rumar para a Serra de Pias. Ao contrário do que o início auspicia, até se faz bem dando sempre tempo para a habitual confraternização no topo.



Feita a subida, damos mais umas voltinhas e quando damos conta estamos já a chegar ao Rio Sousa.




Passados uns metros tomávamos um café e estava o treino terminado. Este percurso pareceu-me muito interessante porque é bastante rápido e tem um pouco de tudo... começamos em plano para aquecer, depois gradualmente começa a subir e termina de forma plana para relaxar os músculos.

Até à próxima!


* Pelago Bicycles Extreme Club (o extreme é irónico, ok??)

terça-feira, 25 de julho de 2017

Dia de kit novo


Não gosto por norma de complicar o que é simples, e se há coisa que me agrada nisto das bicicletas é mesmo a sua simplicidade e (quase) universalidade.
Em que é que isto se traduz? Saltar para a bicicleta e começar a pedalar.

Como em muitas outras coisas da vida, existe sempre forma de, para quem faz disto um gosto e tem essa possibilidade, melhorar a experiência do pedalar.
Como?
Muitas vezes com uma bicicleta nova, com um novo selim, ou no caso de que hoje aqui falo, com roupa adequada ao exercício (não estou a falar do casa - trabalho ou do passeio à beira mar) :p

Até há alguns anos quando pensava em roupa desportiva, só me vinham à cabeça imagens de jerseys cheios de publicidade e/ou muitas cores berrantes e pouco condizentes com uma personalidade discreta como que eu julgo ter.
Ora muito por culpa de um ressurgimento relativamente recente da paixão pelo ciclismo de estrada, e com isso a introdução de um design mais sóbrio (temos de admitir a grande influência de marcas como a Rapha), começaram a surgir kits que aliam a boa qualidade de fabrico e o conforto que daí se pode obter, a um visual bastante diferente de uma árvore de Natal sobre rodas.

É o caso deste.


Chapeau?

Apesar de ser uma marca relativamente recente, tem uma gama muito interessante de produtos e uma filosofia abrangente sem cair em clichés. O mote é bastante claro: "We want what you want. To ride bikes."
Gosto da abordagem despretensiosa de quem quer pedalar com conforto.

E foi assim que apareceu cá em casa um kit, o Chapeau! Club Jersey e respectivo bib.


É inspirado no design clássico, mas fabricado em tecido técnico que permite retirar a transpiração do contacto com a pele, deixando assim que ela respire. 
Este jersey, mais adequado ao tempo quente, tem-se portando muito bem nestes quentes dias de verão. Foi uma boa aposta a inclusão de dois tipos de tecido com densidades diferentes de forma a garantir uma protecção e respiração muito equilibradas.


As mangas, assim como todo o corte, são aero: corte justo e colado ao corpo. Os pormenores da marca e a qualidade de fabrico são muito bons.
Os 3 bolsos traseiros têm o tamanho certo, não ficam caídos e são verdadeiramente úteis.


O bib também inspira qualidade e a carneira (o "pad" para quem só lê coisas em inglês) provam-se confortáveis nos passeios que tenho feito de até 100km. Gosto do pormenor da inclusão de pontos reflectores laterais.


Para acabar e porque é algo sempre muito importante, o preço é bastante equilibrado tendo uma relação preço/qualidade interessante. Só para terem uma ideia, o jersey Club custa 70 libras, sensivelmente metade do que similar equipamento da Rapha custa. À semelhança dessa marca, também oferecem um serviço de "crash replacement", muito interessante caso tenhamos um azar. 

Até já!










segunda-feira, 24 de julho de 2017

Crónica de uma volta incompleta.

Toca o despertador, olho para o lado: 05:56

É domingo. 

Será que já está na hora de mudar fraldas?

Não!

É aquele momento da semana em que custa menos acordar, já que o madrugar é imposto para passear, exercitar os músculos e tonificar a cabeça.



Quem apareceu? Dois personagens míticos: Sr. Teixeira, ciclista de potência invejável, diz sempre que não se sente nos seus dias, mas a dada altura deixa todos para trás; Adolfini, também conhecido por Luigi o terrível, sprinter de classe mundial, muito fácil de identificar já que veste sempre meias pretas e jerseys garridos.

O encontro foi marcado para sair às 7, mas a malta é relaxada e raramente se começa a rolar antes das 07:20.


Há sempre alguma novidade no "kit" escolhido para o dia, ou então simplesmente conversa para ser posta em dia. Aqui em destaque a sempre impecável Titan do MrT.


Quem não acorda cedo não sabe o que isto é... a estrada é nossa, a temperatura fresca e a luz bonita.




O percurso de hoje, não estava completamente definido, sendo certo que rondava o Douro como é quase sempre costume. O serpentear estrada acima que nunca desilude. 
Chegados à barragem, optamos por atravessar o rio e descobrir novos caminhos em direcção a Canedo. 


Se para algo servem, os viadutos da pouco utilizada A41, acabam por ganhar uma beleza excepcional, em contraste com o verde da natureza. Não me farto de passar por eles, e são vários os pontos onde nos encontramos nas voltas mais usuais.


São também uma boa desculpa para a pausa fotográfica na comitiva.


O ângulo perfeito!


Como o tempo para pedalar é curto nos dias que correm, pouco depois de Canedo tive de me despedir da malta, eles iam ainda fazer serra até Castelo de Paiva e depois regressar por Entre-Os-Rios. Fica prometido um dia destes fazer essa estrada.


Subir para a N1, e fazer parte da N1, coisa que nunca deixa grandes saudades, apesar de ainda assim se atingir uma cota alta com boa vista. O regresso ao Porto fiz-lo pelo melhor caminho possível atravessando a bela ponte D. Luis.


PS: notaram em que bicicleta eu vim? 8-)

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Na oficina #03 - coisas bonitas




Ainda antes de o limpar, não resisti a fotografar este desviador Shimano RD-7402. 
Representa quanto a mim uma das linhas clássicas mais bem conseguidas da Shimano, e isso até explica a sua longevidade já que foi produzido dos anos 80 aos 90. Equipou muitas bicicletas que viram sucesso nas grandes provas, sendo na sua fase final já incorporado no sistema de indexação Shimano (8 mudanças).

A qualidade de construção e o rigor aplicado em todos os detalhes justificam bem o estatuto de topo de gama à época.

Detalhe das roldanas.



E finalmente uma imagem do grupo completo.




segunda-feira, 17 de julho de 2017

Na oficina #2 - arqueologia Shimano


Corriam os anos 70 e a (hoje) gigante Shimano tinha aparentemente gostos ornitológicos - dava nomes de pássaros aos seus componentes.
Esta foi uma fase em que a Shimano tentava aumentar mercado piscando o olho à, na altura, gigante Schwinn a quem venderam muitos destes desviadores. Acho que o lettering e a escolha de uma ave muito americana não foram inocentes.



Na rúbrica "na oficina" de hoje temos dois belo exemplos, o desviador traseiro um Shimano Eagle, descrito pelo Sheldon Brown como "strongest derailleur ever made and the best of it's era".

Aparentemente esta robustez provinha da sua construção inteiramente em aço, bem como da protecção contra pancadas inadvertidas. O preço a pagar era o peso - algo em torno dos 450 gramas!?!
Mesmo assim, e porque o peso muitas vezes é um pormenor, é uma peça bem bonita que funciona muito bem. 


O desviador frontal faz linha e é um Shimano Thunder Bird. Também é uma peça bastante elegante, com construção completamente em aço, cumpre perfeitamente o seu papel, mais uma vez sem grandes preocupações com o peso.


E por hoje dou por terminada a sessão no gabinete de curiosidades velocipédicas da oficina Velo Culture do Palácio.
Até já!